'A Conexão Francesa' aborda guerra contra tráfico e tem Jean Dujardin

Drama policial é sobre o tráfico em Marselha na década de 1970.
Filme baseado em história real se perde em pirotecnias e ambientação.



Como se faria um filme à la Martin Scorsese genérico em francês? Uma das possibilidades é “A Conexão Francesa”, drama policial sobre o tráfico em Marselha na década de 1970, dirigido por Cédric Jimenez. Jean Dujardin e Gilles Lellouche estão em lados opostos da lei. O primeiro é um sério juiz, enquanto o segundo, o rei do tráfico.
Baseado numa história real, até hoje não muito clara, o filme mostra o que aconteceu no outro lado do Atlântico numa investigação que já foi retratada em “Operação França”, de William Friedkin.
A ideia é até boa, mas o diretor – que assina o roteiro com Audrey Diwan – não consegue dar profundidade aos personagens e seus motivos, interessando-se demais por pirotecnias e ambientação.
O juiz Pierre Michel (Dujardin) começa trabalhando na vara de menores da região, quando, por sua competência, é escalado para o departamento que investigará o tráfico que tomou as ruas de Marselha. Ele já viu muitos jovens se perderem com as drogas – o suficiente para fazer dele o juiz ideal para este combate.
Ao chegar, encontra um sistema corrupto e dificuldades por todos os lados. O filme também enfatiza seu lado homem de família, casado com Jacqueline (Céline Sallette, subaproveitada) e pai de duas crianças. Ao mesmo tempo, seu rival, Zampa (Lellouche) também é um pai de família. A partir daí, insiste-se em traçar paralelos entre os dois personagens.
Incapaz de resolver as limitações dramáticas de seu filme, Jimenez leva a narrativa aos solavancos dos embates entre os dois lados da lei, sem muito brilho. Montagens genéricas mostram o crescente poder de Zampa, apesar dos esforços de Michel. A chegada da década de 1980 e a eleição de François Mitterand dão uma guinada na trama, mas não o suficiente para tirar o filme do purgatório onde ele foi deixado com sua banalidade.
O diretor embala a história de perseguições, traições e corrupção com a cultura disco da virada dos anos de 1970 para 1980, dando um óbvio ar de “déjà vu” a praticamente tudo sobre o assunto e a época. Esse é exatamente o grande problema de “A Conexão Francesa”: já vimos tudo isso, e melhor.

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